sábado, 16 de junho de 2012
A história da Igreja Cristã
A plenitude dos tempos
“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho...” (Gl 4:4).
“Dizendo: O tempo está cumprido, e o Reino de Deus, está próximo;...”
(Mc 1:15).
Nos dois versículos, os apóstolos Paulo e Marcos chamam a atenção para a era histórica da preparação providencial que antecedeu a vinda de Cristo à terra em forma de homem. Ao estudarmos os eventos anteriores ao aparecimento de Cristo, concluiremos pela verdade das afirmações dos dois apóstolos.
Na maioria das vezes em que este assunto é discutido, esquecemos que não foram apenas os judeus que contribuíram para a preparação religiosa para a vinda de Cristo. Esquecemos que os gregos e os romanos ajudaram a levar o desenvolvimento da história ao ponto em que a vinda de Cristo pudesse causar o maior impacto possível sobre a história de uma forma até então impensável.
O Ambiente
A. Contribuições Políticas dos romanos
Deus usou os romanos, um povo que o desconhecia, para realizar a sua vontade. Idólatras, seguidores de cultos de mistérios e do culto ao imperador, os romanos deram a contribuição política antes da vinda de Cristo.
1. Os romanos desenvolveram um senso da humanidade sob uma lei universal. A aplicação imparcial da lei romana a todos os cidadãos e súditos do império criou um ambiente propício à aceitação do evangelho que proclamava a unidade da espécie humana, baseando-se no fato de que viviam em pecado e a salvação era oferecida a todos, integrando-os num organismo universal, a Igreja cristã, o corpo de Cristo (1).
2. Entre 27 a.C. - 14 d.C. A divisão do mundo antigo na forma de cidades-estado, gerava ciúmes e contendas que impediam a circulação e divulgação de idéias. Com a expansão imperial romana, os soldados romanos mantinham a paz nas estradas da Ásia, África e Europa. Esta vigilância mais a eliminação dos piratas que agiam no Mediterrâneo por Pompeu, trouxeram uma era de paz e desenvolvimento. Neste período de paz, ficou mais fácil a pregação do evangelho pelos primeiros cristãos.
3. As ótimas estradas criadas e mantidas pelos romanos, além das cidades estrategicamente instaladas às margens das estradas, possibilitaram a Paulo a realização da sua missão.
4. Não podemos ignorar o papel do exército romano na propagação do evangelho. Como faltavam cidadãos romanos para integrarem o exército, os romanos usavam habitantes das províncias conquistadas. Muitos desses homens convertidos ao cristianismo, ao serem transferidos para servirem em outras regiões, levavam o evangelho aos seus moradores.
5. Muitos povos que foram conquistados pelos romanos deixaram de crer nos seus deuses por acharem que eles falharam e não os protegeram dos romanos. O vácuo espiritual em que ficaram facilitou a compreensão deles de que necessitavam de uma religião mais espiritual. Nestas condições foram guiados pelo Espírito Santo ao cristianismo.
Concluindo: Ao analisar estes fatores podemos concluir que os romanos criaram um ambiente político que favoreceu a divulgação e o estabelecimento do cristianismo no início da sua existência. A importância de Roma foi tão grande que a Igreja da idade média procurou perpetuar seus ideais num sistema eclesiástico.
B. Contribuições Intelectuais dos Gregos
Mesmo muito importante para a preparação para a vinda de Cristo, a contribuição dada pelos romanos foi ofuscada pelo ambiente intelectual criado pelos gregos.
Roma pode ser associada com o ambiente político, porém Atenas foi quem criou uma intelectualidade propícia à disseminação do Evangelho. A conquista política dos gregos pelos romanos não impediu que os gregos conquistassem os romanos culturalmente. Os conquistadores romanos construíram boas estradas, pontes robustas e magníficos edifícios, mas foram os gregos que erigiram os grandiosos edifícios do pensamento. Através da influência grega a cultura rural da antiga República deu lugar à cultura intelectual do Império.
1. Assim como o inglês no mundo contemporâneo e o latim no mundo medieval erudito, o grego era a língua universal no mundo antigo. O dialeto de Atenas, utilizado pela literatura grega clássica, mesmo com a destruição do império ateniense, tornou-se a língua que Alexandre, seus soldados e os comerciantes, modificaram, enriqueceram e espalharam pela região do mediterrâneo entre 338 e 146 a.C. Conhecido como Koiné e diferente do grego clássico, tornou-se o dialeto do homem comum. Foi através do Koiné que os cristãos se comunicaram com os povos do mundo antigo, tendo inclusive utilizado-o para escrever o Novo Testamento, o mesmo feito pelos judeus de Alexandria para escreverem o Antigo Testamento.
2. Mesmo tendo destruído as antigas religiões, a filosofia grega não conseguiu satisfazer as necessidades espirituais do homem, que, ou se tornava um cético ou abraçava as religiões de mistério dos romanos. O fracasso da filosofia aplainou o caminho para o cristianismo, preparando as mentes dos homens e os fazendo entender uma forma mais espiritual da vida. Só o cristianismo era capaz de preencher o vazio da vida espiritual de então.
3. A chegada da filosofia grega materialista no sexto século antes de Cristo destruiu a fé das pessoas no velho culto politeísta. Mesmo alguns elementos deste culto tendo permanecido no culto oficial, logo perdeu força. Foi assim que os gregos deram a sua contribuição no campo religioso para preparar o mundo para aceitar a nova religião cristã.
Concluindo: Os sistemas gregos e romanos de filosofia e religião, ao destruírem as velhas religiões politeístas e provarem que a razão era incapaz de alcançar Deus, contribuíram para a vinda do cristianismo. Muitos foram os que acorreram para as religiões de mistério, isso os familiarizou a pensar em termos de pecado e redenção. Quando o cristianismo então surgiu, o povo do império romano estava aberto e receptivo a uma religião que oferecia uma perspectiva espiritual para a vida.
Por: Carlos Teixeira de Almeida
Citações:
(1) Cairns, Earle E. – O Cristianismo Através dos Séculos: Uma História da Igreja Cristã – Vida Nova, Página 31 – São Paulo, 2008.
Fonte: Cairns, Earle E. – O Cristianismo Através dos Séculos: Uma História da Igreja Cristã – Vida Nova – São Paulo, 2008.
Postado por BLOG DA VIDA ETERNA às 08:17 0 comentários
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